quarta-feira, 25 de março de 2009

pelo menos ela .

até que enfim alguém se mostrou tão expontâneamente preocupado com minha felicidade . dois dias consecutivos de pura dedicação, tentando me fazer sorrir . até jogando água na minha cara . eu realmente me sinto inebriada com essa água toda caindo, só pra mim . pode parecer exagero, mas sei que foi pra mim . tenho uma cumplicidade com ela, a chuva, e ela bem me cutucou e mandou que eu levasse o moleton, naquele sol . achei besteira, discuti . duvidei que ela viria me ver, afinal, as promessas ainda precisam ser cumpridas ? não existe isso mais não, pura besteira . ela riu do meu mal-humor, saiu andando e se vingou . eu estava no meio da rua, com todas as minhas coisas amontoadas nos braços, porque ainda não aprendi que não preciso levar minha casa pra todos os lugares que vou, e ela bateu na minha testa . com força, mesmo, e riu . segurei, segurei (o riso, porque as coisas, botei no chão), e me rendi . parcialmente, claro . dei um sorriso largo, passei as mãos no rosto . ela era pirracenta como eu, desaforada quase tanto quanto eu . mas confesso que para alcançar o êxtase, ela é infinitamente vitoriosa . ficou brincando comigo o dia todo, cobrando sobre a aposta . distração, ela queria me dar . mas sabia que uma hora ou outra seria inevitável que eu começasse a pensar . por mais que eu gostasse daquilo tudo, eu ia pensar, e seria pesado suportar . seria pesado ter que parar de curtir meu pedacinho de satisfação, pra simplesmente deixar que os meus devaneios me levassem denovo e denovo e denovo . pro mesmo lugar, sempre . sempre, a mesma falta de criatividade . como comemorar todos os aniversários no mesmo restaurante, e beber o mesmo vinho . ganhar a mesma rosa . pensei ter amassado a rosa com força, pensei ter jogado no chão, gritado . mas eu a segurava com delicadeza, com os três dedos, e pra meu desespero, puxei-a de encontro ao meu rosto . o cheiro era tão bom ..

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