segunda-feira, 22 de junho de 2009

meu estômago embrulhava com o silêncio, pela primeira vez. sentia meus dedos se movimentando nervosamente sobre meu colo, denunciando quantas perguntas vagavam pela minha cabeça, atormentando-me durante exatamente dois dias. e voltei, áquela madrugada, quando ainda não havia completado nem um dia do ocorrido, ou melhor, do dia em que eu soube, quando ele saiu por aquela porta, jogou na minha cara como uma informação sobre o dia da semana, e sumiu. digo sumiu, porque quando voltei, após dois dias, completamente não recuperada, ele era outra pessoa. ele não se importava mais se eu havia sumido por uns tempos. as palavras ou sons dele não se dirigiam a mim. somente uma expressão de raiva, como se eu houvesse provocado aquilo. como se eu fosse culpada por nossas vidas terem se tornado um inferno, e eu quase gritei 'eu não pedi isso, não pedi pra estar aqui'. mas me calei. aquilo que era o meu problema, também não havia pedido pra ser. era simplesmente um tropeço que eu amaria. um tropeço que me tirara algo, mas que talvez me trouxesse algo de bom. talvez. então eu sentei pra esperar. sentia aquela substância gelada descendo na minha garganta, minha pele arrepiava. não pela temperatura, mas pela incerteza. e por incrível que parecesse, a incerteza não era culpa minha. não dessa vez. mas isso não demostrava mesmo ser tão importante, o culpado. era até banal imaginar os culpados. de qualquer maneira eu me sentia ruim, e ele me tratava como a principal. como se eu houvesse feito, como se eu tivesse aquela coisa, e pudesse apertá-la dentro de mim. como se eu pudesse resolver tudo se a apertasse com bastante força. mas eu não podia. eu somente podia chorar aquela madrugada, pensando em como, na minha volta, eu o teria perdido pra sempre. eu deitaria na sua cama esperando pelas mãos passeando em meu cabelo, e ele olharia fixo pela janela, como se eu nunca tivesse existido. ele voltaria no tempo, quando eu tinha medo de tocá-lo, e fingiria ter desistido de mim. era tudo que ele desejava, ter desistido de mim, antes que isso me afetasse tanto quanto agora. como se ele realmente se importasse se isso me afetava ou não. não conseguia me acostuma com essa anormalidade 'o natural é que..' isso não importa. já me acostumei com essa anomalia dos sentimentos, da culpabilidade. não importa quem estava naquela noite, não importa dentro de quem está o nosso tropeço. agora ele é meu. todo meu.