quarta-feira, 4 de março de 2009
dia enjoarado .
hoje acordei com a estranha sensação de felicidade . digo estranha por ser rara pela intensidade . dormi e acordei denovo, pra ver se não era sonho, e quase me belisquei . mas deixei de lado e acordei daquele jeito mesmo . até olhei na janela sem odiar tanto o sol . o dia estava com cara de toalha nova, e assim foi feito . parece que no banho, a sensação desceu pelo ralo . o cheiro do sabonete que eu tinha namorado a semana toda era horrível, tentei não passar mal, segurei a careta com as duas mãos, não teve jeito . lá se fora o meu dia bom, tinha dissolvido na água que parecia sorrir desdenhando, no meu cabelo molhado . me sequei, igualmente enjoada com o cheiro da toalha, com o cheiro do ar . caramba, que dia horrível .. era inacreditável . eu sentia coisas que ninguém mais sentia, e parecia usar duas máscaras, uma preta e uma branca de teatro, uma pra pular da cama, outra pra sair do chuveiro . era antitético, enfim, sempre fui, nem sei porque tanta estranheza . na verdade, acho que o problema mesmo foi na intensidade, é . parei de me anjoar, e comecei a lembrar da tragédia, com a frustração na beiradinha do olho, doida pra sair . frustrações têm vida própria, e assim foi, pro meu desespero . eu pensava e sentia a barriga gelar, tudo doer . é necessário coragem, ousadia, covardia até, pra fazer o que preciso . na verdade, é o mais necessário : a covardia . que eu abra mão, por saber não ter ânimo de gritar, de dizer .. e voltar . o principal . era doce, entorpecente, mas eu não queria de volta, isso não .
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