domingo, 27 de dezembro de 2009

Eles passeavam novamente em cima da poeira, a ponta dos meus dedos ficavam escuras e a vista turva . Eu passara horas ali, em dias que pareciam ter ficado distantes, como aquela estrada que só pegamos nas férias pro litoral . O silêncio tinha cor, o barulho que os dedos faziam, pareciam ser ouvidos no quarteirão até a casa amarela, do fim da rua . Cada palavra lida fazia um sentido, fosse por trazer o gosto do doce na boca, de uma garota deitada na rede da varanda, com aquelas páginas na mão, fosse por perceber que havia tanto tempo que não fazia aquele gesto, que haviam palavras desconhecidas . Então os dedos ficaram imóveis . Era pequeno, quase sufocado por trás dos outros, e o arrastar daquele livro foi quase reverente .
A varanda . Sem redes . Um sofá grande e macio, com almofadas gordas e coloridas . Não sentia o vento frio . A varanda estava contornada por vidros, do chão, alongando-se até o teto . A caixinha de vidro, em que temia ser colocada ? Ou ela mesma resolvera colocar ali aquela decoração ? Aquela proteção, fantasiada de liberdade, transparente, timidamente fechada .
"Nunca mais, tenho certeza, vou me separar dessa imagem. Você olhou pra trás apenas uma vez. Eu queria saber como lidar com esse sentimento todo de quem se despede e de quem fica."
E foi naquele dia, sentada dentro daquela muralha, ela percebeu, que as duas garotas lhe faziam mais falta . Mais falta do que podia supor . Mesmo porque, imaginara que aqueles vidros, sim . Aqueles vidros eram liberdade . Imaginação .

Um comentário:

Guilherme disse...

São as paredes de vidros às quais estamos confinados o tempo inteiro que nos mantêem imaginativos, criativos, curiosos. São essas paredes q nos fazem ir a lugares q ja fomos e kerer ir muito mais longe do q podemos pensar. Essas paredes podem ser quebradas, mas se reconstruídas, jamais serão as mesmas...
parabens pelo texto, mt bem descrito...envolvente ^^